sábado, 5 de março de 2016

Professor da UFMG analisa aspectos geopolíticos do golpe


geopolitica


Sobre o golpe de estado em curso no Brasil e a entrega de nossas riquezas. A história se repetirá?

Golpes!

Por José Luiz Quadros de Magalhães, em seu blog.

Para o poder econômico, e outros poderes que a este poder sustentam, o importante não é viver em uma democracia, é claro, mas que as pessoas inocentemente acreditem viver em uma. O mesmo vale para o estado constitucional. O que vemos acontecer de forma grave e agressiva é um teatro, onde a forma oculta o conteúdo. Julgamentos, processos, becas, carros de polícia e ternos e gravatas, parlamentares, jornais, televisão... todo um aparato tragicômico ridículo para justificar o desrespeito à vontade popular e o desmonte de um projeto de transformação social. A “casa grande surta quando a senzala aprende a ler”, vemos escrito nos muros e camisas.

Parece que não há mais espaço para os “golpes de estado” no estilo da década de 1960 e 1970. Tanques de guerra nas ruas, prisões sem mandado judicial, torturas escancaradas, parecem não agradar a maioria da opinião pública do mundo. Claro sem generalizações, pois ainda vemos isto em alguns lugares do planeta. Os golpes hoje são mais sofisticados. Lembremos que a ditadura empresarial/militar a partir de 1964 preocupou-se com uma representação teatral da ditadura com a existência de dois partidos políticos, um Congresso funcionando (depois de várias cassações), e o judiciário aberto e controlado ideologicamente. Claro que todas as medidas foram tomadas para que o partido de oposição não chegasse ao poder (com senadores biônicos, nomeação de prefeitos e governadores), assim como fizeram, inclusive, uma Constituição (autoritária e ilegítima) para reforçar o teatro da “democracia” e “estado de direito”.

Aquele teatro mal feito foi aperfeiçoado. A mídia foi toda tomada e perdeu qualquer pudor quanto a manipulação, distorção e encobrimento de fatos. Existe mais tecnologia para encantar as pessoas, e o teatro do absurdo é permanente. Prisões espetaculares, o nosso FBI dando show, juízes justiceiros como nos seriados de TV, helicópteros e discursos inflamados.

O golpe em curso no Brasil conta com Juízes que agem contra a Constituição, extrapolando sua função constitucional, investigando, punindo, agindo como polícia política; promotores e delegados vinculados a partidos políticos (como no Paraná e São Paulo) que agem ao estilo dos piores regimes totalitários, e uma mídia que não informa mas faz campanha aberta contra pessoas, partidos, ideias e instituições. Este aparato, somado a uma guerra econômica de desestabilização, cria todo um contexto para enganar e aprisionar a opinião pública propositalmente desinformada, especialmente nas classes média e média alta, além da chamada nova classe média, contaminada por lideranças políticas religiosas, que usam da fé para enganar, ganhar dinheiro e criar uma massa de seguidores religiosos para a política, ao pior estilo das teocracias.

Todo este aparato foi cuidadosamente criado para manter privilégios e para servir interesses econômicos poderosos. A questão não é corrupção. Claro que não. A guerra é global e muito pesada. A questão passa pela entrega de nossas riquezas. A questão é abaixar mais uma vez a nossa cabeça diante do império do norte. A questão é manter a colonialidade presente em nosso ser, nossa subordinação a Europa e aos EUA. Toda vez que o Brasil levantou sua cabeça e exerceu sua soberania, o Império nos colocou para baixo, destruiu nossas lideranças, e continuou saqueando nossas riquezas. A história se repete com incrível semelhança: Getúlio Vargas, João Goulart, Lula.
O mais incrível é a capacidade de levar as pessoas, e as Forças Armadas, a acreditarem que a parceria com os Estados Unidos, que entregar o nosso Petróleo, nosso minério, nossas montanhas, nossa riqueza, pode ser algo a favor do Brasil. Como que entregar o pré-sal e destruir uma grande empresa nacional pode ser algo a favor do Brasil? Estamos vivendo, além de um golpe, uma invasão do país. O projeto é destruir toda possibilidade de soberania. As pessoas e instituições encarregadas de proteção da soberania precisam atuar.

Como entender o processo em curso?

Algumas dicas:

1) Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) viveram uma época de grande crescimento econômico enquanto Europa e EUA entraram em grave crise.

2) Os BRICS criaram instituições internacionais que permitiriam (e podem permitir) que estes países, pudessem trilhar um caminho de soberania econômica independente das potencias que mandam no mundo há 500 anos, desde o início da invasão da América pelos europeus.

3) Na América Latina foram eleitos governos, nos últimos quinze anos, que recuperaram a soberania sobre as riquezas nacionais, melhoraram a vida das pessoas, permitiram o acesso do povo a informação, educação e saúde. Os dados são da ONU e qualquer pessoa pode acessar no link do PNUDH. São fatos, e não discursos.

4) Foram criadas instituições importantes sem a presença dos EUA ou Europa que permitiriam (permitirão) o desenvolvimento e fortalecimento da América Latina e Caribe, como a CELAC e UNASUL.

5) A perspectiva de crescimento do BRICS apresentava-se muito maior e com perspectivas de crescimento muito superiores ao crescimento da Europa e EUA.

6) Foi construído o Porto de Muriel em Cuba para facilitar o comércio internacional.

7) Centenas de Campi Universitários foram criados no Brasil e Venezuela. A Unesco declarou o fim do analfabetismo na Venezuela e no Brasil 60 milhões de pessoas mudaram de vida para melhor.
8) A China constrói o Canal da Nicarágua para não depender mais dos EUA e do seu canal do Panamá.

9) Os governos de esquerda na América Latina se expandem e apresentam crescimento econômico importante como acontece com a Bolívia.

10) Um novo constitucionalismo plurinacional, plural, diverso e radicalmente democrático surge e cresce no Equador e Bolívia.

11) A esquerda cresce na Europa com o insucesso das políticas neoliberais, o desemprego e desespero crescente.

12) A presença brasileira e chinesa na África cresce e temos vários contratos com Sudão, Líbia (o país que tinha o melhor IDH da África antes das invasão e destruição por parte da OTAN).

Estes são só alguns fatos. PERGUNTA: SINCERAMENTE, SEM QUALQUER MANIQUEÍSMO, MAS PERCEBENDO UM MUNDO DE CONCORRÊNCIA DE INTERESSES DENTRO DO SISTEMA CAPITALISTA, VOCÊS ACHAM QUE EUROPA E EUA ACEITARIAM PERDER A HEGEMONIA GLOBAL CALADOS?

Resta saber de que lado os golpistas no Brasil estão, e claramente não é do Brasil e do povo.
Qual a resposta dos EUA e EUROPA.

1) Redução do preço do Barril do Petróleo a níveis muito baixos, o que inviabiliza ou ao menos dificulta países como Venezuela, Equador, Rússia, Brasil e o nosso pré-sal.

2) Guerra econômica e desestabilização política no Brasil, Argentina, Venezuela, Rússia entre outros.
3) Controle da grande mídia antinacional e guerra ideológica diária em todos os espaços. Reparem que nem em transmissões de futebol a ideologia e a crítica aos governos populares são poupadas.
4) Invasão da Líbia e Síria. Invasão da Ucrânia. Desfazimento dos contratos da Líbia com o Brasil e China, primeiro ato do novo governo da Líbia apoiado pelos EUA, Inglaterra, França e Espanha.
5) Ideologização e instrumentalização de parte do Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal, com ações seletivas.

6) Encobrimento ideológico de ações políticas de desestabilização por meio de um falso discurso neutro da luta contra a corrupção.

Em meio a tudo isto, um grupo de pessoas, perdidas em meio à guerra ideológica, são levadas às ruas contra o Brasil, e os nossos interesses, empurrados pela desinformação generalizada, a confusão e o ódio de classe, incentivado permanentemente. Triste, perigoso e interessante é a contaminação das Polícias, que vindo do povo se volta contra este e contra o país. Interessante como que brasileiros, que se dizem patriotas, pedem a intervenção militar contra o Brasil (?!). Estudar, compreender o que se passa é possível e necessário. As Forças Armadas têm a função constitucional de preservar a soberania. Jamais poderia intervir para destruir a soberania como querem alguns poucos desinformados. Estamos sob ataque estrangeiro: a guerra é ideológica e econômica, e o grande inimigo é a desinformação. A solução é mais democracia, participação, informação e mobilização, urgente.

http://www.ocafezinho.com/2016/03/05/professor-da-ufmg-analisa-aspectos-geopoliticos-do-golpe/

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Acrônimo, Zelotes e Lava Jato em ofensiva conjunta

Por Tereza Cruvinel
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Na esteira da prisão do publicitário João Santana pela Lava Jato, a Operação Zelotes entrou em cena determinando o depoimento coercitivo de André Gerdau no inquérito que apura a compra de sentenças no CARF para driblar a Receita. Como Santana, ele também já havia se colocado à disposição das autoridades, que não viram muita graça nisso. Não pode faltar cobertura e espetáculo.  Não foi mera coincidência. Daqui até o fim de maio,  as operações Lava Jato, Zelotes e Acrônimo planejam intensificar suas ações, criando condições para o desejado “golpe final”. A PF avalia que depois as atenções da mídia estarão voltadas para as Olímpiadas e as operações perderão espaço na ribalta.

Segundo fonte da PF, o que se planeja é uma “blietzkrieg”, uma série planejada de operações-surpresa  com alvo certo e repercussão garantida.  O termo surgiu na Alemanha, a partir da invasão da Polônia, em 1939, para designar ofensivas contra os inimigos  baseadas em pelo menos quatro elementos: efeito-surpresa,  manobras rápidas,  brutalidade no ataque e desmoralização do adversário. De “blitzkrieg” deriva a expressão “blitz” em referência às ações policiais ou de trânsito.

A Lava Jato dispensa apresentações. A Zelotes começou investigando grandes empresas que subornaram conselheiros do CARF/Receita Federal mas mudou de foco e passou a investigar suposta compra de medidas provisórias nos governos Lula e Dilma, colocando no alvo o ex-presidente e um de seus filhos. A Acrônimo tem como alvo mais brilhante o governador de Minas, Fernando Pimentel e outros políticos mineiros, além do empresário  brasiliense Benedito Rodrigues.

Todas elas buscam produzir elementos que atendam à estratégia política da oposição: viabilizar o impeachment de Dilma pelo Congresso, com a posse do vice Michel Temer, ou a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, o que levaria à realização de novas eleições se isso acontecer antes de outubro,  além de alguma forma de condenação e desmoralização do ex-presidente Lula, tirando-o da disputa eleitoral de 2018.

Além das Olímpiadas, a partir de julho, pelo calendário eleitoral, os candidatos registrados às eleições municipais de outubro não poderão ser presos, o que também pode limitar o raio de ação das operações. Então, vem por aí muita turbulência.

http://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/218615/Acr%C3%B4nimo-Zelotes-e-Lava-Jato-em-ofensiva-conjunta.htm

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

"Nas delações, o grande prêmio é o nome do Lula"


247 - Em conversa com blogueiros iniciada às 10h (horário de Brasília), o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse que sempre teve “tratamento diferenciado”. "Não quero falar em perseguição, nem dizer que sou vítima. Sempre fui tratado com desdém", afirmou.

"Eu duvido que tenha um promotor nesse país que diga que eu esteja envolvido em irregularidades. Não tem ninguém nesse país mais honesto do que eu. Na PF, no MP, nem entre vocês. Pode ter igual, mas mais não", acrescentou.

Questionado pela editora do 247 Gisele Federicce se sente-se alvo de perseguição na Operação Zelotes, após a denúncia de que o lobista Mauro Marcondes foi pressionado para envolver o ex-presidente em delação premiada, respondeu: "Eu já ouvi dizer que nas perguntas, nas delações, o grande prêmio é falar o nome do Lula”.

O ex-presidente lembrou que a corrupção na Petrobras é anterior ao seu governo. "Sabe o que é engraçado? Os funcionários envolvidos na corrupção na Petrobras têm 30 anos de carreira. Não houve uma denúncia do MP, da PF... Não houve um presidente que foi mais à Petrobras do que eu”.

Ele lembrou que fez uma denúncia contra vazamento seletivo em dezembro de 2014 no Ministério da Justiça. "Não importa o que será dito ao MPF, mas o que será divulgado na imprensa. Antes de condenado, ele (invstigado) já foi execrado".

Lula saiu também em defesa da presidente Dilma Rousseff: “Uma coisa importante é que a sociedade deve se mobilizar contra o impeachment. Com democracia não se brinca, democracia é uma coisa muito séria”. Segundo ele, um dia Dilma será reverenciada pela abertura na investigação contra a corrupção.

Ele admitiu, no entanto, um "equivoco político" no governo Dilma, pelo fato de ela ter sido eleita com um discurso e tê-lo mudado depois, com a implantação do ajuste fiscal, que precisou ser feito. "Não ganhamos o mercado com isso... Não ganhamos ninguém e perdemos a nossa gente", comentou.

Sobre os projetos para as eleições municipais de 2016, disse: "Vou fazer mais política, vou participar ativamente das eleições. Estou convencido que o prefeito Fernando Haddad (SP) vai vencer. E tem gente dizendo que o PT acabou...".

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/213982/Nas-dela%C3%A7%C3%B5es-o-grande-pr%C3%AAmio-%C3%A9-o-nome-do-Lula.htm