sábado, 8 de novembro de 2014

Um caso sem esperança – a intolerância continuada de São Paulo.


São Paulo caminha numa marcha de insensatez que nos levará a uma situação limite, se não for revertida de algum modo. E, embora deseja-se, não vejo o que poderá revertê-la.
E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeira da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, ele te transformaria e talvez te triturasse. A pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir!
O texto acima é a maldição contida no conceito de eterno retorno de Nietzsche. Pode também ser usado para representar a armadilha em que o povo paulista se meteu.
Dias atrás, o professor Wilson Ferreira nos apresentou, com Theodor Adorno e suas ideias sobre a personalidade autoritária, os conceitos filosóficos que explicavam as manifestações de intolerância e rejeição aos resultados das urnas de 2014 que trouxeram com eles a reeleição da presidente Dilma e do PT.
Ainda que identificáveis em outras cidades do país, São Paulo parecia ser o epicentro dessa postura antidemocrática.
Pois bem, buscando na internet maiores informações sobre o tema da “personalidade autoritária” deparei-me com um texto de Daniel Rodrigues Aurélio  na Revista Filosofia.
Foi como um murro no estômago.
Para ilustrar minha desesperança, vou apresentar o texto ao contrário, do fim para o começo. É assim que se pode notar que São Paulo caminha numa marcha de insensatez que nos levará a uma situação limite, se não for revertida de algum modo. E, embora desejasse, não vejo o que poderá revertê-la.
Ao texto:
3º § - Tão logo a apuração das urnas indicou a vitória da candidata petista, a rede social Twitter foi tomada por uma avalanche de comentários ofensivos ao Nordeste e ao seu povo. Insatisfeitos com o resultado, centenas de usuários do site, sobretudo jovens do eixo Sul-Sudeste, manifestaram sua aversão aos nordestinos. Considerados os principais beneficiários do programa social Bolsa Família (chamado de forma pejorativa pelos agressores de “Bolsa Esmola” e “Bolsa Vagabundo”), os cidadãos nascidos no Nordeste seriam, por analogia, os responsáveis por assegurar o triunfo de Dilma, a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva.
2º § - Domingo, 31 de outubro de 2010. No Brasil, data do segundo turno da eleição para a presidência da República. O duelo entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) ficou marcado por agressões, boatarias e campanhas difamatórias. Para jornalistas, historiadores, sociólogos, cientistas políticos, as eleições de 2010 apresentaram o mais baixo nível, em todos os sentidos, desde a acalorada disputa Fernando Collor de Mello vs. Luiz Inácio Lula da Silva em 1989. Na internet, os ânimos entre os militantes foram acirrados com as sucessivas calúnias difundidas por meio de mensagens eletrônicas, blogs, fotomontagens e vídeos compartilhados. Uma polêmica sobre a questão do aborto transformou os candidatos em cristãos de primeira hora. E os comícios nas praças foram intercalados por missas e cultos em igrejas católicas e templos evangélicos. Educação, saúde e economia ficaram muitas vezes em segundo plano.
1º§ - Após o resultado das eleições presidenciais de 2010 no Brasil, surgiram na internet vários comentários preconceituosos. Entenda as razões dessas manifestações à luz dos estudos frankfurtianos. E que este seja um alerta para que nada disso aconteça em 2014.
Título - Personalidade autoritária e ódio ao outro.
O que, então, acrescentamos, de lá para cá, em nosso eterno retorno à intolerância?
A violência.
http://www.jornalggn.com.br/blog/sergio-saraiva/um-caso-sem-esperanca-%E2%80%93-a-intolerancia-continuada-de-sao-paulo

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