sábado, 8 de novembro de 2014

O corte de gastos e a Suécia


8 de novembro de 2014 | 11:36 Autor: Miguel do Rosário
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O primeiro-ministro faxinando a casa e dando dicas de limpeza no jornal
Prezada presidenta Dilma, caros governadores, estimados prefeitos, descobri a solução para a crônica falta de recursos para melhorar os serviços públicos no Brasil.
Distribuir o livro da Claudia Wallin, “Um país sem excelências e mordomias“, para todos os brasileiros.
Distribuir nas escolas e nas universidades.
Distribuir nas repartições públicas, especialmente naquelas do Judiciário.
Distribuir para cada um dos parlamentares.
É preciso, além disso, que a TV Brasil faça uma série de documentos com base nas informações do livro de Claudia Wallin.
Publicado, há apenas alguns meses, pela Geração Editorial, o livro é um murro na cara de uma sociedade cujos servidores públicos tornaram-se viciados em luxos e privilégios.
Nem é o caso de lembrar que a Suécia é pequena e o Brasil, grande. Isso vale para sermos um pouco mais compreensivos em relação à precariedade dos serviços públicos aqui, ok. É mais difícil dar médico para 200 milhões de habitantes do que para 9 milhões.
No entanto, sendo o Brasil infinitamente mais pobre que a Suécia, em termos de renda per capita e arrecadação per capita, as lições suecas de economia valem perfeitamente para nós.
Na Suécia, nenhum servidor público tem carro com motorista, secretária particular, exército de assessores, auxílio paletó, etc.
Todos pagam suas refeições com seus salários, que são modestos.
Os auxílios para moradia são modestos, e a pessoa morar com o conjuge, este paga metade.
Não há jatinhos para ninguém.
Se o servidor pegar um táxi ao invés de tomar o metrô ou ônibus, e pagar com dinheiro público, é recriminado pela mídia e pelas autoridades.
Não existe isso de deputados e juízes aumentarem seus próprios salários. Há comissões independentes para cuidar desse tipo de coisa.
Se quisermos um país melhor, teremos que discutir uma redução drástica dos luxos e privilégios de setores do Estado que parecem ver a si mesmos como uma casta à parte, superior à sociedade.
Na Suécia, ninguém é melhor que ninguém. O primeiro ministro vai para a fila de ônibus, lava e passa suas roupas e prepara a comida para seus filhos.
Não existe empregada doméstica na Suécia. Muito menos paga com dinheiro público. O Estado paga a faxina de um apartamento funcional de parlamentar apenas uma vez ao ano. O resto do tempo ele mesmo tem de limpar a sua casa.
Nas cidades, vereadores não recebem salários, apenas ajuda de custo, e continuam trabalhando em seus antigos empregos. Não tem assessores nem gabinetes: trabalham em casa.
Até alguns anos, os parlamentares da Suécia dormiam em sofás camas em seus próprios gabinetes.
Quanto poderíamos economizar, de fato, se fizéssemos uma revolução nos gastos com servidores?
Centenas de bilhões de reais por ano?
Isso não implicaria em redução da qualidade dos serviços. Ao contrário, ao invés de pagar almoço grátis para servidores, modernizaríamos o atendimento ao cliente.
Ao cabo, a qualidade de vida iria melhorar para todo mundo, até mesmo para o servidor público, que teria menos luxo, mas viveria num país muito melhor.
Temos que nos livrar, de uma vez por todas, da pecha de país onde governantes empregam parentes, tem vida luxuosa, e constroem aeroportos, com dinheiro público, apenas para uso pessoal.
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