domingo, 16 de novembro de 2014

Não é porque a eleição acabou que Aécio está livre de explicações sobre coisas como o aeroporto e suas rádios


Postado em 16 nov 2014
Num debate
Num debate
O comportamento triunfal de Aécio na dupla derrota – perdeu o Brasil e Minas nas eleições – é uma aberração.
O que Aécio deveria fazer – além de dar expediente no Senado, coisa para a qual recebe um bom salário do contribuinte – é explicar tudo que ficou malcontado em sua campanha.
Primeiro, o aeroporto de Claudio. Não é porque a mídia o poupou, e as eleições passaram, que este caso está resolvido.
Não está.
Até aqui, ele não deu uma única explicação convincente. O máximo que fez, na campanha, foi chamar Luciana Genro de leviana quando ela tocou no assunto.
Outro ponto vital que exige transparência são os meios de comunicação de propriedade da família Neves em Minas.
Em si, é um absurdo um político ter rádios, o que aliás a Constituição – teoricamente – proíbe.
A proibição é driblada por políticos de baixa taxa de escrúpulos com diversas gambiarras jurídicas de legalidade amoral. Uma delas é colocar um dono de araque na papelada. Outra é você constar na documentação não como dono, mas como sócio.
Que os órgãos públicos não consigam impedir esse assalto à Constituição conta muito sobre o que Darcy Penteado definiu como o maior problema do Brasil: um pequeno grupo que trata de manter, a que preço for, mamatas e privilégios.
A questão das rádios de Aécio tem um complicador que ficou em aberto.
Quanto o governo de Minas, sob ele e depois sob seu pupilo Anastasia, colocou em publicidade nelas?
A Folha levantou esse ponto, mas – como tantas vezes ocorre com o jornal – frustrou os leitores ao não fazer o serviço completo.
A Folha simplesmente esqueceu o assunto.
Lembremos: no comando das verbas publicitárias de Minas com Aécio estava a “voluntária” Andrea Neves.
Ela que trabalha muito sem ganhar nada, como disse Aécio, ao contrário do irmão de Dilma, Igor.
Segundo afirmou Aécio num debate, Igor “ganha muito para não trabalhar nada”.
Apenas depois das eleições o Estadão se dignou a ver como vivia Igor, o alegado marajá. O jornal encontrou ali uma espécie de Mujica, um homem simples, dono de um carro velho numa cidadezinho do interior, avesso a qualquer coisa que o identifique com a irmã poderosa.
E mesmo assim, com uma infâmia dessas, Aécio ainda ousou falar em “desconstrução” como arma de campanha de Dilma – e não dele mesmo.
O debate em torno da “desconstrução”, aliás, é uma das maiores estupidezes da política nacional contemporânea.
Algum candidato “constrói” o adversário? Elogia-o, enche-o de palavras generosas?
Ora, faça-me o favor.
Marina, a coitadinha, já chegou dizendo que os adversários eram a “velha política” e ela a “nova”. O que é isso senão desconstruir?
Será uma decepção se o novo governo de Minas não trouxer à cena informações que permitam aos brasileiros conhecer melhor Aécio.
As rádios da família e o dinheiro público posto nela, por exemplo.
Há ainda um assunto particularmente complicado nos arredores de Aécio: o helicóptero com 450 quilos de pasta de cocaína de propriedade de um de seus maiores amigos, Perrela.
Ninguém é culpado pelo que os amigos fazem, é verdade. Mas a sociedade tem que pelo menos saber com clareza o que fazem os amigos diletos de candidatos à presidência.
Aécio, em suma, tem muita coisa a explicar antes de posar como um herói da República do alto de sua dupla derrota.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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