quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Falta um Richelieu no reino de Dilma

Tome-se o quadro histórico de um chefe de governo vitorioso por pequena margem, uma situação econômica ruim por falta de confiança dos agentes econômicos no Governo, um Palácio institucionalmente fraco perante o Congresso e o Judiciário, uma corte palaciana que não enxerga a realidade e aposta na radicalização, uma Chefia de Governo sem interlocutores com outras grandes forças que tem peso histórico e operacional, como o empresariado e as forças armadas, o mesmo núcleo sem apoios externos importantes e tem-se ai um terreno propicio para uma crise anunciada.
Foi o caso de Manuel Azaña, eleito em fevereiro de 1936  Presidente da Republica Espanhola por uma coligação de partidos de esquerda, um Presidente fraco e mal apoiado, cercado por primeiros ministros que não enxergavam a realidade, Largo Caballero e depois Juan Negrin.
A fraqueza de Azaña e seu governo tornou possível o "alzamiento", o levante do general Francisco Franco no Marrocos espanhol, que deu a partida na guerra civil que durou três anos e terminou pelo fim da República.
Em junho de 1936 Leon Blum foi eleito Primeiro Ministro da França em uma coligação de forças de esquerda conhecida como FRONT POPULAIRE, a famosa "Frente Popular", contra todo o empresariado e contra o as instituições mais conservadoras da França, sem dialogo e sem interlocutores. A fraqueza do Governo da Frente Popular abriu caminho para o "seja bem vindo" dado pelos conservadores às tropas alemãs em 1940 e a colaboração de Vichy que se seguiu, sob o mote "preferimos os alemães aos comunistas".
O problema desse tipo de Governo é a impossibilidade de governar. Governos populistas com viabilidade histórica existem mas é preciso ter pontes com o centro, governar CONTRA os poderes de fato não é viavel, só a cartilha da esquerda não é capital politico suficiente.
As massas ou são amorfas ou são traiçoeiras, com Jango as massas não deram um pio a seu favor, Jango caiu em um vácuo absoluto, nem os sindicatos tradicionalmente janguistas ensaiaram uma defesa, nem retórica, do governo que os representava.
Governo populistas operacionais foram o de Peron no primeiro ciclo e o de Vargas de 1930 a 1945. Em épocas mais recentes foram populistas bem sucedidos o Governo JK e o primeiro Governo Lula. O segredo foi a boa interlocução com o centro.
O Governo Dilma 2 só sobreviverá com ampliação do dialogo, representado pelo empresariado nacional e internacional e com a alta classe média de São Paulo, que pilota os links com a globalização não só econômica mas também cultural e social.
È fundamental também uma boa interlocução com Washington, não só com a Casa branca, mas também com as instituições que são tão importantes como o Governo.
Hoje o Governo Dilma está no meio do deserto e pelo "núcleo duro" anunciado, dele não sairá.
Falta massa critica no Planalto para construir pontes, áulicos que pensam igual não servem.
Falta o Armand Louis du Plessis, conhecido na Historia como Cardeal de Richelieu, para ser a ponte entre o Rei e a Sociedade. Para isso é preciso cérebro e finesse, entender o outro, entender o mundo, saber a fonte verdadeira do poder e não viver de ilusões.
http://www.jornalggn.com.br/noticia/falta-um-richelieu-no-reino-de-dilma-por-motta-araujo

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