quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dono de jornal mineiro e testemunha que denunciavam PSDB foram soltos


 
Jornal GGN - O jornalista Marco Aurélio Carone, proprietário do Novo Jornal - o "único jornal mineiro, virtual ou não, que faz oposição aberta ao governo estadual", descreveu José de Souza Castro no Observatório da Imprensa - foi solto da prisão preventiva nesta terça-feira (04). Além dele, também foi colocada a liberdade a Nilton Monteiro, principal testemunha contra o PSDB em Minas Gerais, que revelou o caso do mensalão tucano.
 
Carone foi preso em janeiro deste ano, com base em 16 ações penais sem julgamento em última instância, por calúnia, injúria ou difamação contra autoridades. No trabalho de imprensa de oposição, Marco Aurélio também acumulou dois acórdãos do Tribunal de Justiça impedindo a veiculação de notícias sobre o deputado federal Alexandre Silveira de Oliveira (PSD/MG) e sobre o desembargador mineiro José do Carmo Veiga.
 
A denúncia contra os dois foi protocolada no dia 12 de novembro de 2013, pela Promotoria de Combate ao Crime Organizado e Investigações Criminais. A juíza que decretou a prisão, Maria Isabel Fleck, solicitou que o mandado de prisão deveria ser remetido com urgência à polícia. No dia 20 de janeiro, o jornalista foi preso.
 
As acusações foram de que Marco Aurélio Carone e Nilton Monteiro formavam uma quadrilha para ganhar dinheiro em cima de denúncias fraudadas. A juíza sustentou a prisão "tendo em vista a necessidade de garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para garantia da ordem econômica". Maria Isabel Fleck concluiu: “ao verificar o site do ‘novojornal’, fica patente que o mesmo é utilizado para lançar ofensas à honra de autoridades públicas, achincalhando e ofendendo a todos que se posicionam contra os interesses do grupo, imputando verdades àqueles que cumprem seus deveres funcionais”.
 
De Minas Gerais, a prisão foi divulgada pela imprensa sem detalhes sobre a censura. Apenas o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais emitiu nota de repúdio à ameaça sobre o veículo e a imprensa livre. Na Câmara Estadual, o bloco Minas Sem Censura, que reúne deputados do PT, PMDB e PRB também alertaram sobre a censura prévia. 
 
“Quando do surgimento da Lista de Furnas, encaminhei o relatório à Polícia Federal e, por isso, o vice-presidente nacional do PSDB tentou a cassação do meu mandato. É a mesma situação. A censura tem agentes no Ministério Público e no Judiciário, mas, quando é com a imprensa, quem organiza a perseguição é a própria irmã do senador, Andréa Neves”, havia dito Rogério Correia (PT).
 
A pena imposta pela juíza prescrevia em 20 anos. 

http://www.jornalggn.com.br/noticia/dono-de-jornal-mineiro-e-testemunha-que-denunciavam-psdb-foram-soltos
 
Leia a decisão de Maria Isabel Fleck, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte:

Nenhum comentário:

Postar um comentário