domingo, 9 de novembro de 2014

A entrevista de Aécio para o Globo


9 de novembro de 2014 | 11:53 Autor: Miguel do Rosário
direita_aecio
O candidato derrotado Aécio Neves, concedeu uma longa entrevista ao Jornal O Globo, publicada neste domingo.
Há alguns trechos divertidos. Como, por exemplo, quando ele fala:
“O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado.”
Compreendo Aécio.
Ele deve estar lendo sofregamente o Globo, que diariamente publica matérias que o tratam como vencedor.
Aécio acorda, à tarde, imaginando-se no Palácio do Alvorada, e chama sua esposa de primeira dama?
Outra parte interessante da entrevista, e que acabou se tornando o título da entrevista é quando ele fala:
“Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou”.
O Aécio maduro não me parece muito diferente daquele Aecinho jovem, que, em entrevista a um jornal americano, disse que as “mulheres brasileiras não trabalhavam, porque cada uma tinha duas empregadas domésticas”.
Aquele Aecinho sequer tinha ideia do que era: um pequeno oligarca, sem ideia nenhuma das terríveis dificuldades vividas pelas mulheres brasileiras.
Hoje, Aécio não conhece a polarização das forças políticas. Seu eleitorado é orgulhosamente de direita, assim como o de Dilma, sobretudo nestas eleições, teve como vanguarda, a esquerda dura no país.
As políticas de Aécio, de redução da minoridade penal, e “choque de gestão”, o apoio entusiástico e ideologica que recebeu das figuras mais caricaturais da direita, como o pastor Malafaia, Feliciano, Bolsonaro, não foram à tôa.
É preciso distinguir um acordo político, por tempo de TV, feito de maneira burocrática, com um apoio fortemente ideológico, no qual os personagens se engajam fogosamente numa campanha.
Assim foi o apoio de Malafaia e Bolsonaro a Aécio Neves.
De qualquer forma, a declaração de Aécio Neves, de que “não adianta lhe empurrar para a direita”, reflete o peso da derrota política que sofreram nestas eleições.
Uma derrota política, como a sofrida por Aécio em outubro, não termina no dia seguinte às eleições.
Ela continua se disseminando pela sociedade, por um bom tempo.
A mídia tenta conter o fluxo da derrota com matérias, como esta entrevista, que pintam o derrotado como um vitorioso.
Não adianta muito.
A prova está aí.
Aécio decidiu guardar sua fantasia de direita, que é a sua preferida, no armário.
As manifestações de rua pró-intervenção militar trouxeram-lhe grande dano político, e ele, agora, não só procura traçar uma barreira sanitária entre si e estes grupos, como recusa a própria pecha de direita, que ainda carrega um estigma histórico no Brasil, em virtude do apoio ao golpe de 64.
Só que Aécio, ao rechaçar os grupos que saíram às ruas pedindo intervenção militar, está rechaçando a sua única base social realmente orgânica.
Alguns ideólogos do conservadorismo tupi já entenderam isso. Olavo de Carvalho, por exemplo, passou parte do sábado produzindo tweets “revolucionários”, como que chamando a si a liderança dos black blocs:
ScreenHunter_5356 Nov. 09 11.42
E por fim, dá uma lição histórica aos ingênuos que pedem intervenção militar:
ScreenHunter_5357 Nov. 09 11.44
Ou seja, para haver nova intervenção militar no Brasil, será preciso copiar o modelo bem sucedido de 64: conspirar secretamente e contar, sobretudo, com o apoio dos grandes meios de comunicação.
Em outras palavras, é fazer o que eles, a turma da direita, já vem fazendo.
É como se Olavo dissesse aos manifestantes furiosos: “sabe de nada, inocente. A gente já vem articulando golpe há tempos. Não deu certo porque não é fácil, mas continuamos na luta”.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=22904

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